“Mobilidade Sim – Com O Reforço Das Acessibilidades”

Semana da Mobilidade 2023

A política para a mobilidade tem percorrido um caminho pouco audacioso no que diz respeito à capacidade de redução efetiva das emissões poluentes – segundo a Agência Europeia do Ambiente, a degradação da qualidade do ar é responsável, anualmente, pela morte prematura de pelo menos 1.200 crianças e adolescentes na Europa– acentua as desigualdades sociais, com a exclusão dos grupos mais vulneráveis e a ausência de investimento em transportes públicos coletivos, de forma mais gravosa nas áreas rurais e isoladas, continua muito longe de ser inclusiva.

As políticas de mobilidade têm sido norteadas pela dependência de combustíveis fósseis e centradas na predominância do uso individual do transporte e no domínio do espaço público pelo automóvel. Tais opções políticas contribuem para o nível crítico de emissões associadas ao transporte – as emissões de gases geradas pelo transporte rodoviário em Portugal aumentaram 6,2% em relação ao período pré-pandemia. Esta involução é representativa do peso do investimento público canalizado para o aumento da rede rodoviária em 2.378 quilómetros (346%), entre 1995 e 2018, em contraposição com o investimento feito na rede ferroviária que registou uma diminuição de 18%, ou o baixo investimento na rede nacional de ciclovias que continua altamente dependente dos recursos e estratégias das autarquias locais.

Os Verdes consideram necessária uma mudança do paradigma com mais aposta na ferrovia, na intermodalidade, no planeamento da mobilidade e das acessibilidades. Uma rede de transportes intermodal eficaz e sustentável, deve ter em conta a minimização da distância percorrida e as respetivas emissões, ter o foco na redução do trânsito, consequentemente, da poluição sonora e do ar, na redução da despesa das famílias com transportes públicos coletivos e nas infraestruturas associadas.

Os Verdes reivindicam o investimento e a valorização do transporte público coletivo – ferroviário e rodoviário – e a incorporação de modos de mobilidade suave e ativa – através da criação ou reorganização de áreas pedonais e ciclovias. Defendemos uma visão das acessibilidades que tenha em conta a realidade rural e as regiões autónomas, onde o acesso rodoviário e o transporte aéreo e marítimo, respetivamente, ainda constituem uma necessidade, e por isso a rede de acessibilidades precisa de nos ligar a todos.

Exigimos o “renascer” e “pulsar” da Ferrovia em Portugal, o modo de transporte de longa distância mais sustentável e eficiente para passageiros e mercadorias, uma resposta imprescindível para o desenvolvimento do país e para a mitigação e adaptação às alterações climáticas.

Considerando o exposto, o Partido Ecologista Os Verdes apresenta as seguintes recomendações tendo em vista o direito à mobilidade e o reforço das acessibilidades:

          22 de setembro de 2023