Hoje, Dia Mundial da Meteorologia, foi conhecido o relatório anual 2025 da Organização Meteorológica Mundial (OMM) sobre o Estado do Clima Global.
Este relatório é mais uma confirmação, de entre os inúmeros relatórios científicos que se têm produzido, do estado desastroso para que estamos a caminhar a passos largos.
O Acordo de Paris estipula que o aumento de 1,5ºC da temperatura média do Planeta (em relação à era pré-industrial), no final do século XXI, é o limite desejável e seguro para estabilizar o clima. Este relatório da OMM é factualmente uma confirmação de que o Acordo de Paris está longe de ser cumprido, o que se deve inegavelmente à ausência e à ineficácia das políticas que têm sido prosseguidas. Enquanto a mitigação das alterações climáticas servir para embelezar discursos, mas não tiver uma concretização eficaz e consequente, a realidade só se agravará, como Os Verdes sempre têm afirmado.
O relatório da OMM dá conta que a última década foi a mais quente de sempre e que os impactos desse aquecimento global já se estão a fazer sentir de forma intensa no presente, com tendência para se tornarem mais catastróficos no futuro.
Com efeito, os extremos climáticos, cada vez mais regulares e intensos, fazem-se sentir um pouco por todo o mundo, e Portugal não fica, obviamente, à margem dessa catástrofe climática. Dos extremos de calor, que provocam secas e incêndios, aos extremos de intempéries, que se traduzem em fortes tempestades, inundações e cheias, o que se verifica é que as alterações climáticas estão num processo profundamente acelerado, com impactos na perda de vidas, em desalojamentos e nos fluxos migratórios que procuram segurança.
O relatório da OMM confirma que os oceanos estão a ficar com muito menos capacidade de reter dióxido de carbono, enquanto as sociedades humanas continuam profundamente dependentes de combustíveis fósseis. Quando os oceanos diminuem essa sua função reguladora essencial para o equilíbrio do clima planetário, o cenário é de facto bastante preocupante, acrescento a destruição de ecossistemas marinhos e a perda significativa de biodiversidade.
Este facto, assim como a perda de solo útil para a agricultura, tem efeitos diretos na sociedade e na economia. A insegurança alimentar generalizada torna-se mais provável, o aumento do nível do mar é significativo (11 cm desde 1993), o degelo acelera, as tempestades tropicais avançam, doenças como a dengue têm tido uma expansão fora do comum. Estes são exemplos de consequências da crise climática, para as quais a comunidade científica alerta há muito tempo.
Porque todos estamos em risco, a generalidade dos cidadãos só tem a perder com as políticas desastrosas que, em vez de se traduzirem em medidas de mitigação e adaptação às alterações climáticas, o que fazem é tentar tirar o máximo de proveito e lucro para quem tem poder económico e financeiro influente. Com estas prioridades do capitalismo, que é por natureza desumano e indiferente aos efeitos ambientais, todos vamos perder!
O Planeta já lançou um SOS há muito. É preciso agir para evitar um desastre maior!
