O desnorte das políticas ferroviárias do Governo PSD/CDS: A mobilidade não é um luxo, é um direito!

As recentes notícias vêm pôr a nu a total inversão de prioridades políticas em matéria de mobilidade ferroviária. Se por um lado, é com pompa e circunstância que se anunciam fundos comunitários avultados para investir no comboio de luxo que virá a circular nas depauperadas linhas do Douro, Beira Alta e Beira Baixa, através da aquisição por parte de empresas privadas à CP de material circulante para transformação em comboio hotel, por outro lado falta investimento para garantir o pleno direito das populações à mobilidade nestas regiões do país.

Enquanto estiver por cumprir a ligação ferroviária a todos as capitais distrito, Os Verdes continuarão a exigir do Governo os investimentos e as intervenções que tardam, como por exemplo a reativação da linha do Corgo; a resolução do problema do afastamento da estação de Portalegre à cidade pela criação do ramal, melhorando a atratividade do modo ferroviário; a reposição de condições de plena utilização da ligação ferroviária a Beja para que os anúncios se traduzam em obras concretas, sem novos adiamentos. No mesmo sentido, entendemos a urgência de precaver situações como as que afetam utentes nas ligações a Évora, onde se verificam com frequência problemas de lotação esgotada, atrasos prolongados e automotoras paradas sem condições ideais de conforto, em particular em dias de elevada temperatura. Na mesma linha, Os Verdes entendem que a nova travessia do Tejo constitui uma ligação estratégica ao desenvolvimento ligando Chelas ao Barreiro para retirar pressão rodoviária e incentivar a mobilidade sustentável, pelo que deve ser assumida como prioritária num contexto de aumento da circulação ferroviária entre o Norte e o Sul do País e na conexão ao futuro aeroporto.

No entanto, e perante o desinvestimento progressivo da ferrovia, Governo e Autoridade da Concorrência (AC) alinham a agulha: a continuidade do caminho da privatização do setor ferroviário, agora com a proposta da AC para o fim do contrato público com a CP, cujo prazo termina em 2029 com extensão prevista até 2034, mas que a AC sugere antecipar.

Os Verdes rejeitam o caminho da privatização da ferrovia, e o exemplo de que este é um trilho sem saída é a (falsa) premissa de que parte este estudo divulgado pela AC, o que dita o fracasso desta opção:permitir que consumidores, empresas e economia beneficiem de preços mais baixos, maior qualidade e diversidade da oferta e maior eficiência.

Reconhecendo o contributo do setor turístico para o desenvolvimento, Os Verdes não podem aceitar que o mesmo seja alavancado à custa das infraestruturas, do material circulante essencial ao transporte de passageiros e mercadoriascuja recuperação pode e deve estar ao serviço do transporte público e de projetos e investimentos que muito tardam.  

Os Verdes defendem a democratização do uso do transporte público, a justa e necessária reposição e modernização das redes e ligações ferroviárias, a recuperação e o aproveitamento total do material circulante existente, e a renovação do mesmo, e de que a CP carece, para além da redução dos tempos de percurso, matérias tanto tempo reivindicadas por utentes, trabalhadores ferroviários e pelo Partido Ecologista Os Verdes.

Recordemos que, desde o início do ano, a linha da Beira Baixa está sob suspensão parcial do serviço, devido aos estragos causados por temporais severos, obrigando à implementação de transbordos rodoviários e o corte de fluxo ferroviário contínuo no Interior Centro, o que penalizou de forma particular as populações de Abrantes e Castelo Branco. 

Como Os Verdes muito alertam a privatização prejudica as populações, porque em causa estão apenas interesses economicistas e de rentabilidade destes serviços e não o superior interesse público, o que contribuirá para fragilizar os serviçoscomo hoje se verifica na sequência da entrega do serviço da linha entre Lisboa e Setúbal à Fertaguse para adensar ainda mais as restrições de acesso à ferrovia dos territórios do interior. Além do mais, a privatização ameaça a segurança ferroviária como se verificou no Reino Unido e que levou a reversão da privatização, na sequência das inúmeras queixas devido a atrasos frequentes, cancelamentos e tarifas elevadas que o modelo privado gerou.

 

Os Verdes rejeitam  a subconcessão a privados dos serviços urbanos ( três na região de Lisboa, as de Cascais, Sintra-Azambuja e Sado; e a totalidade das linhas suburbanas do Porto). A ferrovia é um serviço estratégico para o desenvolvimento do país e deve ficar sob controlo estatal. Queremos uma ferrovia, segura e acessível, que contribua com um papel relevante para as políticas de mobilidade, no combate às assimetrias regionais, na eficiência energética, na resposta e mitigação das alterações climáticas.

As populações contam com Os Verdes na defesa do direto à mobilidade, porque a mobilidade não pode ser um luxo.