As respostas vergonhosas do Governo perante a dimensão da tragédia

Face à tragédia que assolou o país, decorrente da tempestade Kristin, que teve efeitos dramáticos em especial na região centro, o Governo demonstrou que não está à altura de responder às necessidades.


Com mortes a lamentar e com uma vastidão de pessoas e famílias que ficaram com os telhados totalmente danificados e com a estrutura e o recheio da casa estragados, o Governo tardou na resposta à coordenação da ajuda imediata e veio ontem anunciar um pacote de medidas de apoio que, de tão curtas e insuficientes, constituem um desrespeito por quem está numa situação de desespero por ter perdido o seu lar ou a sua empresa.


Passada que está quase uma semana sobre um dos dias mais complicados, e num cenário onde as fortes chuvas e ventos continuam, há ainda inúmeras pessoas sem eletricidade, água e comunicações, sem que lhes seja indicado um prazo para a sua reposição ou uma justificação para esse atraso, e há ainda muitas pessoas que não têm a mínima orientação sobre como conseguirão obter ajudas.


A falta de respostas adequadas por parte do Governo contrasta com a enorme onda de solidariedade que a generalidade da população, em Portugal, demonstrou, oferecendo ajuda e contribuindo para respostas mais imediatas, a qual deve ser assinalada.


Veio, entretanto, ontem, o Governo anunciar um total de 2500 milhões de euros para distribuir por cidadãos, empresas e infraestruturas públicas afetadas. Este valor é demonstrativo de que o Governo não tem a mínima noção da dimensão da tragédia. Desses, 200 milhões de euros serão distribuídos por 49 municípios, 10 mil euros é o valor máximo atribuído para reconstrução da habitação própria e permanente destinado a famílias que ficaram com o seu património destruído, igual valor se destina à agricultura e florestas, as linhas de crédito também elas são insuficientes, e as incógnitas sobre os apoios da União Europeia são vergonhosas.

A escassez de meios operacionais no terreno é uma realidade, nomeadamente de militares que ajudem a desobstruir vias públicas e a facilitar as acessibilidades. Estes são exemplos da ausência de respostas com que o país está confrontado.


Tudo isto contrasta com as respostas que foram dadas em auxílio da banca, pelas mãos daqueles que decidem hoje estas migalhas de apoios às pessoas e às micro, pequenas e médias empresas.


Vergonhoso é também o facto de, perante a emergência e urgência da situação,  o Governo não ter convocado obrigatoriamente as grandes empresas de construção civil para prestar o seu apoio solidário à reconstrução das habitações e das infraestruturas. Também as grandes empresas de distribuição alimentar não foram obrigatoriamente mobilizadas para prestar o seu auxílio.


Mais uma vez se prova que quando é para servir os grandes interesses o Governo abre os cordões à bolsa e obriga todos os portugueses que vivem do seu trabalho e da sua reforma a contribuírem. Já quando é para auxiliar as pessoas, o Governo encolhe-se o máximo possível e não requisita os grandes grupos económicos para contribuírem!


Os Verdes consideram estas respostas inaceitáveis. No terreno as populações, sobretudo dos distritos de Leiria, Coimbra, Castelo Branco, Santarém, Setúbal, são vítimas não apenas das catastróficas intempéries, mas também de governantes insensíveis que não estão à altura das respostas necessárias.


Também é preciso sublinhar que as medidas parcas anunciadas pelo Governo vão levar tempo a chegar às pessoas. Impõe-se uma coordenação extra e exímia dos organismos do Estado para pôr no terreno meios imediatos e acelerar todos os processos, de modo a que as pessoas possam ser auxiliadas de forma célere.


A intempérie vai continuar nos próximos dias, e o território está agora ainda mais vulnerável. Ontem mesmo foi notícia a queda de uma grua que causou danos muito sérios. Uma política de prevenção é absolutamente necessária, e no imediato é preciso tomar medidas que diminuam os riscos de mais danos e ameaças à vida.


Os Verdes alertam para o facto de estas situações de fenómenos climáticos extremos serem cada vez mais frequentes e de ser necessário uma verdadeira política de adaptação do país às alterações climáticas, questão para a qual o Governo também em nada tem contribuído com significância.