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CENTRAL FOTOVOLTÁICA SOPHIA

Participação do Partido Ecologista Os Verdes na Consulta Pública

 

(Fundão, Penamacor, Idanha-a-Nova)

O Partido Ecologista Os Verdes divulga a sua participação no quadro da consulta pública da Central Solar Fotovoltaica de Sophia e LMAT associadas – projeto reformulado, que abrange os concelhos do Fundão, Penamacor e Idanha-a-Nova, distrito de Castelo Branco,  na qual manifesta a oposição ao Projeto Sophia, tal como se encontra configurado, e solicita a emissão de uma Declaração de Impacte Ambiental desfavorável.
Mesmo após a reformulação subsistem riscos para habitats, espécies ameaçadas, solos, paisagem e integridade territorial com interferência nos ecossistemas e interligação com áreas naturais raianas, com impactos sobre o lobo-ibérico, a expansão da área de distribuição do lince-ibérico e avifauna de grande porte, nomeadamente de rapina e necrófaga.

O PEV considera particularmente graves os impactos cumulativos, somando-se a outras centrais fotovoltaicas na região, à Central de Biomassa do Fundão e à pressão para mineração de lítio na Argemela, numa área de grande valor ecológico. A plantação de 40 mil árvores não restitui, a curto prazo, a homeostasia de ecossistemas consolidados, cuja regeneração levará décadas. Evidência, porém, a necessidade de compensar os impactos severos que o projeto acarretará, decorrentes da desflorestação e da destruição da vegetação, muita dela autóctone ou adaptada ao clima mediterrânico.

Este, tal como outros megaprojetos fotovoltaicos já instalados geram benefícios locais limitados na região, pouco emprego sobretudo temporário e concentram ganhos fora das regiões, enquanto os custos ambientais, sociais e paisagísticos recaem sobre as comunidades. Ficam expostas atividades estruturantes como agricultura, silvicultura e turismo de natureza, essenciais à fixação de populações e à valorização dos territórios do interior.

A transição energética é necessária e inadiável, mas não pode servir de pretexto para a delapidação dos territórios do interior, como ameaça suceder com o Projeto Sophia, comprometendo a sua biodiversidade e paisagem e fragilizando as atividades económicas que sustentam as comunidades locais. Caso contrário, perpetuar-se-á um modelo de (sub)desenvolvimento em que os benefícios económicos da exploração energética são, quase todos, transferidos para fora dos territórios de implantação, designadamente para as áreas metropolitanas onde se encontram sediadas muitas das empresas promotoras, incluindo multinacionais do setor energético, como a BP, enquanto os custos ambientais, sociais e económicos permanecem nas regiões afetadas.

A BP não pode branquear a sua imagem, associada à indústria petrolífera, à custa do enegrecimento de um território que se pretende verde, sustentável e promotor da qualidade de vida. A defesa do ambiente exige coerência entre o discurso e a prática, bem como o respeito pela biodiversidade, a salvaguarda do património natural e a valorização das sinergias socioeconómicas que ligam as comunidades ao território.

Uma transição energética que desconsidera estes princípios não representa um verdadeiro caminho para a sustentabilidade, limita-se a transferir os custos ambientais de um modelo energético para territórios e populações que não devem ser condenados a suportá-los.