CENTRAL NUCLEAR DE ALMARAZ PRORROGADA ATÉ 2030 A FRAGILIDADE DA “COOPERAÇÃO” IBÉRICA ACENTUA RISCOS DE ACIDENTE NUCLEAR

No passado dia 6 de agosto, o Partido Ecologista Os Verdes enviou uma Carta Aberta ao Ministério do Ambiente e Energia, através da qual apelou ao MAE que diligenciasse junto do Governo Espanhol no sentido de exigir a rejeição de uma prorrogação do funcionamento da Central Nuclear de Almaraz até 2030.

 

Embora em outubro de 2025 as empresas proprietárias da central – a Iberdrola, a Endesa e a Naturgy – tenham requerido ao Governo Espanhol a prorrogação do prazo da licença de operação dos Reatores I e II da Central Nuclear de Almaraz, na resposta à pergunta que lhe foi dirigida pelo PEV, o Governo Português indicou que, até à data [de 13 de agosto], “não há informação oficial do Governo espanhol que altere a data prevista para o encerramento da Central” e que “Portugal tem defendido a necessidade de ser envolvido em qualquer desenvolvimento associado à Central Nuclear de Almaraz”.

 

O Governo referiu ainda aos Verdes a sua preocupação quanto a uma possível extensão da vida útil da Central, acrescentando que, caso se verifique qualquer alteração da data até agora assumida, Portugal fará uso dos mecanismos ao seu dispor para assegurar o devido acompanhamento deste processo. Adiantou igualmente que “Portugal e Espanha mantêm uma estreita articulação, o que inclui a realização de reuniões periódicas, nas quais Portugal tem reiterado o seu interesse em acompanhar de perto qualquer desenvolvimento e manifestado a sua preocupação relativamente à possível extensão da vida útil da Central”.

 

Ora, Os Verdes desconhecem quaisquer esforços do Governo português, após o anúncio por parte do Conselho de Segurança Nuclear de prorrogar atividade da central nuclear de Almaraz, no sentido de rejeitar junto do país vizinho o prolongamento da sua atividade, o que nos leva a crer que perante a inércia e passividade do Governo Português face à informação que vinha a ser tornada pública no país vizinho, o Governo Espanhol, através do Ministério da Transição Ecológica e do Desafio Demográfico, antecipa a decisão, apontada para setembro, e anuncia a 14 de agosto a renovação até junho de 2030, da licença de operação dos Reatores I e II da Central Nuclear de Almaraz, o que suscita dúvidas quanto ao nível de cooperação entre os dois países.

 

Perante esta autorização, duas são as hipóteses: ou a articulação com Espanha efetivamente não funciona, ou o Governo Português não foi transparente ao indicar, na resposta que remeteu ao PEV, que desconhecia qualquer informação relativa à prorrogação do prazo de funcionamento da central até 2030.

 

Esta decisão espanhola de prorrogar o funcionamento da central nuclear até 2030 está a gerar profunda apreensão nas populações e nos seus autarcas dos distritos de Castelo Branco e Portalegre, atendendo ao período que representa para esta região e para as zonas ribeirinhas do Tejo, cujas águas são utilizadas para o arrefecimento dos reatores nucleares.

 

Não basta que o Governo Português manifeste preocupação, mantenha a articulação com Espanha, promova reuniões periódicas e demonstre interesse em acompanhar de perto qualquer desenvolvimento. Para Os Verdes, o Governo Português deve assumir uma postura inequívoca, isenta de passividade, exigindo o encerramento da Central Nuclear, conforme o prazo estabelecido por Espanha até 2027.

 

A central nuclear de Almaraz configura um perigo iminente à nossa porta, tal como Os Verdes sempre afirmaram, tanto mais que esta central já devia ter sido encerrada há muito.

 

Um acidente nuclear na Central de Almaraz teria efeitos catastróficos em Portugal, tendo em conta a sua proximidade do Tejo – rio de onde são captadas as águas utilizadas para o arrefecimento dos reatores nucleares –, bem como o facto de a central se encontrar a escassos 100 km da fronteira portuguesa.

 

Esta central nuclear ultrapassou, há muito, o seu período de vida útil, encontrando-se um dos reatores em funcionamento desde 1983 e o outro desde 1984 (já lá vão, portanto, mais de 40 anos). Para além da questão da antiguidade, que, por si só, poderá implicar menores condições de segurança, é do conhecimento público que, desde há vários anos, a Central de Almaraz apresenta problemas de segurança recorrentes. Prolongar o período de funcionamento desta central, para além de configurar uma grande irresponsabilidade, constitui uma ameaça nuclear muito considerável, com impactos gravosos para o nosso país.