O DIA EM QUE O PAÍS COMEÇA A VIVER ACIMA DA SUA (BIO)CAPACIDADE

Segundo os cálculos da Global Footprint Network, uma organização internacional que mede a pegada ecológica em todo o mundo, Portugal começa hoje, dia 7 de maio de 2026, a esgotar recursos naturais que só deveria usar no próximo ano.

Significa isto que Portugal gasta muitos mais recursos do que aqueles que estão disponíveis de acordo com a sua capacidade de regeneração. O mesmo é dizer que, em cerca de 4 meses gastou o que, para garantir o equilíbrio do Planeta, deveria gastar em 12 meses.

Este é o padrão, não apenas de Portugal, mas também de toda a União Europeia, o que demonstra que, ao contrário do que muitas vezes se quer fazer crer, as políticas da União Europeia são muito dedicadas ao modelo económico que delapida os recursos naturais, e pouco dedicadas ao ambiente e à estabilidade do Planeta.

Se todo o mundo absorvesse os recursos à mesma medida de Portugal, seriam necessários quase 3 planetas (2,9, mais precisamente) para comportar tamanha sobrecarga de produção e de consumo. Este é mais um alerta para a necessidade urgente de alterar um modelo económico que, para garantir a concentração de riqueza numa minoria e os lucros exorbitantes de setores como o das empresas energéticas ou das grandes distribuidoras, gera a insustentabilidade do desenvolvimento.

É mais um alerta para a necessidade de o poder político deixar de estar ao serviço desses grandes interesses económicos. É mais um alerta para a necessidade de setores vitais como a energia ou a água estarem sob a égide de uma gestão pública e não privada, de modo a servirem o interesse coletivo e não os interesses dos administradores e gestores dessas grandes empresas.

É mais um alerta para a necessidade de mudarmos o paradigma da mobilidade, priorizando o transporte público e fundamentalmente a modalidade ferroviária. É mais um alerta para a necessidade de termos uma agricultura sustentável, que respeite o ciclo da natureza e que não se sustente no esgotamento de solos e de outros recursos, como acontece com a eucaliptização ou com as culturas intensivas e superintensivas de olival e outras.

É mais um alerta para não trocarmos solo útil para a agricultura por mega centrais fotovoltaicas. É mais um alerta para adotarmos uma prática de produção e consumo locais, que valorize e permita o escoamento dos nossos produtos, em substituição de uma super importação de alimentos que põe completamente em causa a nossa soberania alimentar.

O Partido Ecologista Os Verdes reafirma que é preciso substituir a política que gera a sobrecarga no país, que não respeita a biocapacidade do Planeta, por uma política que gere efetivamente um desenvolvimento sustentável, garantindo uma justa
distribuição de recursos por todos e também a possibilidade de futuras gerações usufruírem dos recursos da Terra.