NUCLEAR NÃO OBRIGADO! CONDENAMOS O REGRESSO AO NUCLEAR À BOLEIA DOS INACEITÁVEIS CONFLITOS MILITARES

A presidente da Comissão Europeia anunciou no decorrer da Cimeira Mundial sobre Energia Nuclear, em Paris, o desbloqueio de 200 milhões de euros para acelerar o desenvolvimento da energia nuclear no espaço da União Europeia. Anúncio ao qual Os Verdes reafirmam “Nuclear Não Obrigado!”

Quer do ponto de vista geopolítico, quer no que concerne à exploração de recursos, confrontamo-nos hoje com uma repetição de um erro histórico em torno do caminho do reinvestimento no nuclear que emerge a reboque do conflito bélico, e energético, provocado pelo ataque perpetrado pelos Estados Unidos da América e por Israel ao Irão.

A corrida ao setor da energia configura-se cada vez mais como uma questão de luta pelo poder e de domínio, à medida que enfrentamos conflitos que desafiam o direito internacional e impõem riscos ambientais crescentes à escala global.

O forte aumento da instabilidade social e económica provocada pelas recentes agressões dos EUA, desde a América Latina ao Médio Oriente, tem como fim único o de tomar, pelo uso da força, os recursos essenciais aos grandes negócios do setor da energia, do setor tecnológico e do setor militar.

Ataques que a História repete, sob o falso argumento da promoção de democracias no Mundo e da libertação dos povos, quando o que está em causa é, em larga medida, servir as tecnocracias que influenciam a escalada dos conflitos e forçam alterações legislativas para servir os seus interesses.

Desta forma, o caminho da progressiva redução na dependência de combustíveis fósseis está cada vez mais comprometido, tal como estão as metas climáticas definidas pelo Acordo de Paris, que aliás os EUA há muito abandonaram.

Os Verdes lamentam que também a Comissão Europeia esteja cada vez mais vulnerável às pressões exercidas sobretudo pela extrema direita e partidos de centro-direita, e que de forma consistente vem subvertendo as prioridades em matéria energética e ambiental.

A narrativa da volatilidade e oscilações na produção de energia elétrica com base em renováveis vai ganhando cada vez mais força, e serve como uma luva os interesses das multinacionais do setor tecnológico a quem esta medida hoje anunciada serve, e para quem o investimento na energia nuclear é a opção mais vantajosa (não menos dispendiosa, nem ambientalmente viável).

Como referiu hoje o Presidente francês, Emmanuel Macron, principal defensor da aposta no nuclear, este é um investimento para servir as empresas tecnológicas, nomeadamente as que dispõem de inteligência artificial e de centros de dados. A produção energética desta indústria requer eletricidade 24 horas por dia, sete dias por semana.

Ora, perante tais objetivos é claramente enviesada a ideia defendida pela Comissão Europeia de que o que está em causa seja a imperiosa necessidade de garantir a soberania energética na Europa,  por mais que Ursula von der Leyen tente escudar-se na ideia de que “a saída da energia nuclear foi um erro estratégico” para a Europa, destacando a necessidade de diversificar as fontes de energia perante a volatilidade dos combustíveis fósseis.

Para Os Verdes, esta decisão não serve a soberania dos Estados-Membros, tão pouco se refletirá na fatura da energia paga pelo consumidor, muito pelo contrário. O nuclear não é uma solução verde. Continuaremos a defender que a aposta em renováveis em modo de produção sustentável, e em respeito pelos ecossistemas, é o caminho necessário para a estabilidade económica, social e, tal como prova o contexto global atual, para a promoção da Paz.

Os Verdes salientam que a energia nuclear não pode ser dissociada da indústria militar, nomeadamente do armamento nuclear cuja utilização será devastadora e contraria o espírito dos tratados da ONU para não proliferação e de proibição do uso de armas nucleares. Por outro lado, o urânio é uma fonte de combustível finita e a UE depende fortemente das importações deste recurso cuja extração tem sérios impactos ambientais, pelo que a energia nuclear não é, claramente, a resposta para a nossa segurança energética a longo prazo. Além disso, os riscos associados à energia nuclear, como o provou o acidente de Fukushima em 2011, são tão reais agora como sempre foram, seja em termos de operação, produção de combustível ou gestão de resíduos nucleares.