Não. Não queremos o ódio.

Hoje assinala-se o Dia Internacional contra o Discurso de Ódio, um dia que reforça a necessidade de combatermos comportamentos de discriminação em razão do sexo, orientação sexual, identidade e expressão de género, características sexuais, origem racial e étnica, nacionalidade, idade, deficiências ou religião.

Em 2026 quando pensávamos que já estaríamos mais desenvolvidos enquanto seres humanos que se respeitam nas suas posições, opiniões e formas de vida, o que assistimos é ao retrocesso. Um andar para trás que não se coaduna com a evolução que as sociedades foram fazendo, com o esforço que foi feito na Escola Pública, designadamente alargando o direito do acesso a todos.

E falo-vos em primeiro lugar da Escola Pública, porque acreditamos que este espaço, com o trabalho dos educadores e professores, com o convívio entre crianças e jovens de diferentes idades e origens tem de dar um importante contributo para a aceitação do outro e o respeito por ele.

No entanto, também a escola passou e passa por grandes provações e pela falta de investimento quer seja para reforçar os profissionais, quer seja para desenvolver os currículos e projetos educativos.

As escolas devem ser espaços de diversidade, de concretização de direitos, de segurança e todas estas premissas precisam de opções políticas sérias.

O discurso de ódio passa cada vez mais pela xenofobia, que não é mais do que o medo e desconfiança do outro. O outro que não é igual a mim, que tem uma cor de pele diferente, que veste de forma diferente, que professa outra religião, que come alimentos diferentes. É a diferença que assusta, porque isso é promovido pelos discursos que pretendem apenas “dividir para reinar”.

A Comissão Europeia contra o Racismo e a Intolerância afirma que é crescente o impacto do discurso de ódio em crianças e jovens, tanto como vítimas ou disseminadores. E, por isso, é cada vez mais fundamental o investimento na Escola Pública para que seja possível apetrechar todos os actores educativos para saberem lidar com estas mudanças, que têm grande influência do espaço online, das redes sociais e do imediatismo.

Continuar a fomentar os discursos de ódio, quer seja pela palavra directa ou escondidos atrás de um computador vai-nos continuar a levar para a construção de uma sociedade intolerante que, como dizia o poeta, hoje é com ele e eu não quero saber, amanhã será comigo e não haverá ninguém para me defender.

O ódio é sempre inaceitável. Quando os discursos generalizam, ora dizendo que somos todos iguais. Ora rejeitando a tolerância perante as diferenças.

Quando a vida dos inocentes, na Guerra, é mais válida num território, do que noutros.

Quando assistimos a bullying nas escolas ou à repressão nos locais de trabalho.

Quando aceitamos desigualdades salariais ou condições que não nos permitem viver mas apenas sobreviver.

Enquanto continuarmos a defender a proteção do Planeta ao qual chamamos casa, dividindo-nos entre nós (sem bandeiras nem partidos) e os outros, não seremos capazes da evolução que é urgente fazer, ou seja, a união à volta da garantia dos Direitos Humanos ou a defesa do bem-comum.

É urgente cuidar e respeitar todas diversidades – humanas e de todas as formas de vida na Terra – para que possamos garantir a justiça social e ambiental que tanto procuramos.

 

Artigo de Opinião por Mariana Silva

Membro da Comissão Executiva do Partido Ecologista Os Verdes