Sobre o “roast” à UE protagonizado por Trump em Davos
Os Verdes não podem deixar de manifestar o seu profundo repúdio face às declarações proferidas pelo Presidente Trump no Fórum Económico Mundial, em Davos, perante uma plateia submissa de grandes empresários e de decisores políticos de vários países da Europa, entre eles representantes do Governo português, acompanhados dos líderes de empresas como Sonae, EDP e Galp.
O aviltante discurso de Davos torna bem evidente, por um lado, a insustentabilidade da submissão política e económica aos grandes interesses que movem as políticas de direita, no nosso país como em todo o mundo, alicerçados na expansão do belicismo, na instabilidade económica e na rutura com valores democráticos e com os direitos sociais. Por outro lado, os interesses militaristas e imperialistas da NATO demonstraram ser, uma vez mais, fatores de grande insegurança e de instabilidade, longe de ser garante de paz e de respeito pelo Direito Internacional.
Tal deriva política faz adivinhar tempos muito difíceis para a esmagadora maioria da população – com um ataque direto e implacável à soberania dos povos e aos seus mais básicos direitos, com a destruição progressiva do Estado Social, com o absoluto desprezo pelas políticas e metas climáticas.
A política de confrontação de Trump e dos Estados Unidos da América pela insistência em «adquirir» a Gronelândia é reveladora não só daquela que é uma trajetória nacionalista, imperialista e de ingerência externa perigosa, como torna evidente a fragilidade das metas ambientais e da transição energética, quando está em causa a exploração desenfreada dos recursos naturais, a todo e qualquer custo, para servir única e exclusivamente as grandes empresas – entre elas a tecnocracia das empresas do setor digital – em que se integram as pessoas mais ricas do mundo que concentram mais dinheiro do que a metade mais pobre da humanidade.
Ora, esta injusta distribuição da riqueza e o exponencial agravamento das desigualdades sociais exige a mais combativa resistência, exige uma inversão, mais do que necessária, das políticas vigentes, quer na UE, quer no nosso país, motivo pelo qual a segunda volta das eleições presidenciais, no próximo dia 8 de fevereiro, assumem grande relevância, num momento político global e nacional instável, no combate e rejeição de André Ventura e daquilo que ele representa. Neste sentido, Os Verdes reiteram o apelo à participação neste momento eleitoral e a mais firme rejeição do caminho da direita e da extrema -direita.
Recorde-se que é pela mão do Governo AD, pela IL e CH, que avançam medidas desastrosas para o país e para a despesa pública, entre as mais recentes: o investimento de 2% (e até 5%) do PIB em defesa para alimentar a indústria de guerra, o aval do acordo comercial UE e Mercosul , que promete destruir irremediavelmente as pequenas e médias produções do setor agrícola ( ambas as medidas com o aval do PS); ou ainda a obstinada alteração da lei laboral, para agravar a precariedade e as condições de vida dos trabalhadores ( que o PS não aprovou, mas também não reprovou inicialmente no quadro da proposta orçamental que incluía as medidas laborais).
Contra as políticas de submissão e em defesa dos interesses da maioria da população, importa assumir como prioritária a defesa da Constituição da República Portuguesa e o seu cumprimento.
Os tempos que vivemos tornam evidente a urgência de combater os projetos antidemocráticos, com unidade, solidariedade e mobilização, tendo em Abril e na CRP o farol que garante aos portugueses, e aos povos, a justiça social como espinha dorsal das políticas públicas, a defesa do ambiente e da paz como garante da estabilidade no futuro.
