O Partido Ecologista Os Verdes manifesta sua profunda solidariedade com o povo cubano perante a escalada da tensão geopolítica, no seguimento da ordem executiva por parte do Governo dos Estados Unidos da América, a 29 de janeiro, que classificou Cuba como uma “ameaça extraordinária” e das declarações de coação que se sucederam . A ameaça contudo tem tido origem na política externa americana e na instabilidade por si intensificada a nível global, e de forma particular na América latina. Cenário que resulta de décadas de políticas sancionatórias, de ingerência e de violações do direito internacional pelos EUA, como recentemente sucedeu com o sequestro do presidente venezuelano, mas também com a imposição do corte no fornecimento de petróleo da Venezuela a Cuba e a tentativa de obrigar o México a proceder de igual modo, sendo este um recurso vital para o setor energético e dos transportes na ilha.
Os Verdes condenam as declarações de Trump, que afirmou orgulhosamente que em consequência das suas opções “a ilha não conseguirá sobreviver”. Recorde-se que Cuba enfrenta há anos, massivos “apagões” de energia que duram horas e dias, com impactos sérios a nível económico, e que consequentemente serão agravados perante novos bloqueios.
Consideramos estar em causa a soberania e a segurança dos povos, naquela que é uma clara violação dos princípios da Carta das Nações Unidas e do Direito Internacional, para fazer valer a doutrina “Donroe”, com a intensificação da intervenção expansionista e coerciva dos EUA sobre Cuba, que contribuirá para agravar as condições de vida da população que enfrenta o mais duradouro bloqueio económico da história.
Há mais de 60 anos que Cuba enfrenta fortes e repressivas retaliações económicas pelas administrações americanas. Ao longo das décadas o cerco económico por parte dos EUA assumiu diferentes retóricas, pelo que as medidas adotadas pelo Presidente Trump para intensificar o bloqueio imperialista não são uma novidade na política externa dos EUA.
Esta asfixia da economia de Cuba são o perpetuar de um ataque à soberania do seu povo, de um historial de sanções, atentados, sabotagens e ingerências perpetrados pelas sucessivas administrações dos Estados Unidos, tendo em vista a fragilização do seu projeto de sociedade, onde o capitalismo e o imperialismo norte americano encontram a mais firme e corajosa resistência.
A par da escassez crónica de combustível e eletricidade em todo o país, nos últimos anos surgiram uma série de outras crises: económica, de transportes, de saneamento urbano, de educação e de saúde, fruto dos criminosos bloqueios económicos e comerciais. A título de exemplo, as sanções económicas têm tido um impacto dramático no campo da saúde, face às restrições impostas pelo embargo que contribuíram para privar Cuba de um acesso vital aos medicamentos, às novas tecnologias médicas e científicas.
Os Verdes reafirmam o seu compromisso na defesa da Paz, recusando firmemente qualquer caminho que possa conduzir a uma ação militar contra Cuba, ou quaisquer medidas burocráticas para apertar o embargo contra a economia cubana, limitando ainda mais a capacidade de Cuba de importar bens essenciais à sobrevivência do seu povo, entre eles alimentos, medicamentos, combustíveis ou matérias-primas.
Para que se faça cumprir o direito à auto determinação de Cuba, livre de ingerências, exigimos o fim do bloqueio dos EUA e a imediata retirada de Cuba da arbitrária e ilegítima lista dos EUA de «Estados patrocinadores do terrorismo».
